segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Um sopro de esperança

Bom dia!

Hoje postarei mais um conto, que também foi postado no site Página Cultural! Um beijo e boa semana!

             

Um sopro de esperança
Renata dos Reis Corrêa

             Rita era uma mulher casada, tinha dois filhos e devia ter por volta dos trinta anos de idade.
            Vivia a vida, na verdade levava a vida, mas não era feliz. Já não se lembrava de quando tinha sido a última vez que havia dado um sorriso, nem que tivesse tido vontade de se enfeitar.
            João, seu marido, tinha cerca de quarenta anos, era trabalhador, mas desprovido de gentilezas, polidez, não sabia pedir por favor, nem muito menos obrigado.
            Rita e João casaram-se quando ela ainda era uma menina. Tinha dezessete anos, não conhecia nada da vida, nem do amor. Mas tinha sonhos. No início o jeito bruto de João a assustou, sentia falta de delicadezas, mas acabou se acostumando.
            Tiveram o primeiro filho quando ela tinha dezenove anos e o segundo dois anos depois. Os filhos e os afazeres domésticos ocupavam-lhe o tempo. E foi se esquecendo de si mesma... Provavelmente se perguntada do que mais gosta (de fazer, de ouvir, de ler) ela não saberá responder.
            Certo dia Rita foi à feira. Na volta, com sacolas nas mãos, ao entrar num ônibus um rapaz lhe estendeu a mão oferecendo ajuda. Rita ficou desconcertada e agradeceu. Dois assentos estavam desocupados e sentaram-se um ao lado do outro. “Está mesmo um belo dia, não está?” o rapaz perguntou e Rita que já desacostumara a ouvir amenidades chegou a questionar se era com ela mesmo que ele estava falando. Sim, não havia dúvidas, pois aqueles olhos verdes estavam olhando diretamente dentro dos seus. Ela fez que sim com a cabeça. Então ele lhe sorriu um sorriso doce e perfeito, de dentes alinhados e brancos.
            Rita sentiu uma culpa invadir-lhe a alma por ter achado o rapaz bonito. Seu semblante mudou e ele percebendo disse: “Desculpe-me se a incomodei moça, mas o dia está realmente bonito e olhar para a janela e ver seu rosto delicado antes do que posso ver lá fora, fez-me achar o cenário ainda mais belo. Você é uma mulher muito bonita.” Um esboço de sorriso surgiu na face dela.
            Rita era uma mulher bonita, apesar de desarrumada e sem vaidades. Nenhuma maquiagem no rosto, cabelo despenteado e sem corte.
            A parada dela chegou. Ao pedir licença para que pudesse passar, o jovem rapaz ainda lhe sorriu novamente e desejou que tivesse um bom dia.

            Rita chegou em casa um tanto quanto esbaforida e apavorada. De olhos arregalados deixou as sacolas sobre a mesa da cozinha e correu para o banheiro. Olhou-se no espelho. Ajeitou os fios despenteados com os dedos, alisou a própria face com as mãos e de repente seus olhos brilharam. E ela sorriu para sua imagem refletida. Uma sensação de alegria encheu-lhe a alma e um sopro de esperança percorreu seu corpo.

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